Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Palavras Soltas...

As palavras podem significar muito, ou podem significar nada! Podem ser boas ou más... mas nunca deixarão de ser proferidas!

Palavras Soltas...

As palavras podem significar muito, ou podem significar nada! Podem ser boas ou más... mas nunca deixarão de ser proferidas!

21
Jun16

O jornalismo português vai de mal a pior

No passado dia 15 de Junho, o jornal I publicou uma notícia com o seguinte título: "Rui Maria Pêgo acusado de pedofilia".

Para quem não sabe, Rui Maria Pêgo é filho da apresentadora da SIC Júlia Pinheir, e recentemente num post  que escreveu no seu facebook, sobre os atentados em Orlando, assumiu publicamente a sua homossexualidade.

Ora, o jornal I com falta de notícias para publicar no seu site, não foi cá de modos, criou uma notícia falsa que não foi assinada por nenhum jornalista, mas que foi publicada assim do nada, como se criar boatos fosse a coisa mais natural do mundo! 

O que é que o facto de o visado assumir ser homossexual tem a ver com pedofilia? - perguntam vocês. Nada!!

Mas os jornalista do I são verdadeiros criativos e pelo jeito inventar deve ser o seu nome do meio.

Como não seria de esperar outra coisa, Rui Maria Pêgo  exerceu o direito de resposta, que poderão ler aqui. 

Já o jornal I, não emitiu um pediu desculpas, não se retratou perante esta atitude difamatória e limitou-se a juntar a seguinte  nota de direcção ao direito de resposta: "A notícia a que se refere a carta foi retirada do site e apagada do facebook quatro horas após a sua publicação."

Então, mas que jornalismo é este que nem um pedido de desculpas faz? Agora inventam-se mentiras e fazem-se delas notícias?

A notícia foi apagada, é certo, mas isso não vos redime da atitude que tiveram. 

É vergonhoso, o estado do jornalismo em Portugal.

 

Deixem-me que vos diga, que há quem ande a necessitar ler o código deontológico para reavivar as ideias:

 

1. O jornalista deve relatar os factos com rigor e exactidão e interpretá-los com honestidade. Os factos devem ser comprovados, ouvindo as partes com interesses atendíveis no caso. A distinção entre notícia e opinião deve ficar bem clara aos olhos do público.

2. O jornalista deve combater a censura e o sensacionalismo e considerar a acusação sem provas e o plágio como graves faltas profissionais.

3. O jornalista deve lutar contra as restrições no acesso às fontes de informação e as tentativas de limitar a liberdade de expressão e o direito de informar. É obrigação do jornalista divulgar as ofensas a estes direitos.

4. O jornalista deve utilizar meios legais para obter informações, imagens ou documentos e proibir-se de abusar da boa-fé de quem quer que seja. A identificação como jornalista é a regra e outros processos só podem justificar-se por razões de incontestável interesse público.

5. O jornalista deve assumir a responsabilidade por todos os seus trabalhos e actos profissionais, assim como promover a pronta rectificação das informações que se revelem inexactas ou falsas. O jornalista deve também recusar actos que violentem a sua consciência.

6. O jornalista deve usar como critério fundamental a identificação das fontes. O jornalista não deve revelar, mesmo em juízo, as suas fontes confidenciais de informação, nem desrespeitar os compromissos assumidos, excepto se o tentarem usar para canalizar informações falsas. As opiniões devem ser sempre atribuídas.

7. O jornalista deve salvaguardar a presunção de inocência dos arguidos até a sentença transitar em julgado. O jornalista não deve identificar, directa ou indirectamente, as vítimas de crimes sexuais e os delinquentes menores de idade, assim como deve proibir-se de humilhar as pessoas ou perturbar a sua dor.

8. O jornalista deve rejeitar o tratamento discriminatório das pessoas em função da cor, raça, credos, nacionalidade, ou sexo.

9. O jornalista deve respeitar a privacidade dos cidadãos excepto quando estiver em causa o interesse público ou a conduta do indivíduo contradiga, manifestamente, valores e princípios que publicamente defende. O jornalista obriga-se, antes de recolher declarações e imagens, a atender às condições de serenidade, liberdade e responsabilidade das pessoas envolvidas.

10. O jornalista deve recusar funções, tarefas e benefícios susceptíveis de comprometer o seu estatuto de independência e a sua integridade profissional. O jornalista não deve valer-se da sua condição profissional para noticiar assuntos em que tenha interesse.

Aprovado em 4 de Maio de 1993

 

 

Mais sobre este caso aqui.

 

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Contacto:

palavrassoltasnomundo @gmail.com

Estou no Bloglovin', segue-me:

Follow

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

WOOK - www.wook.pt

Links

  •  
  • Comentários recentes